(Estreio neste post a seção pitaco. Não que os outros, feitos com mais vagar, não o sejam, mas a ideia é que estes tenham especialmente o descompromisso intuitivo que compõe os pitacos. Em geral vão girar em torno de um tema – apontado no título -, mas nada impede o salto adjacente ou distante. Monólogo de bar (café, porque não bebo), algo estruturado e feito texto. Lá vamos.)
* Assisti nesta semana ao último, ou mais recente (a depender do acaso), filme produzido por Spielberg: Super 8. Pas mal, sobretudo nos primeiros quarenta minutos. Ali está a energia encantadora de E.T., o extraterrestre (1982) e Goonies (1985), este dirigido e aquele produzido por Spielberg. Depois as amarras se soltam e tudo descamba para uma ficção científica pouco verossímil. Além das questões mais miúdas de enredo, fiquei incomodado com aquela pré-adolescência representada no filme (hoje nem sei se existem mais pré-adolescentes e, sim, o filme se passa na década de 80, é quase um “filme de época”, como disse um amigo). Apaixonados por cinema, aventureiros (no bom sentido do termo), virtuosos… Esta é a representação dileta do jovem dos anos 80 para o jovem dos anos 80, sr. Spielberg. Hoje o máximo que aconteceria – seguindo o argumento do filme – seria ver os meninos evacuando a cidade com seus Ps12 debaixo do braço. Tá, mas poderia ser um agrado a seus velhos fãs, saudosos do tempo em que ainda havia mistério no mundo. Não, não poderia. Os atuais alto-trintões ou baixo-quarentões percebem a distância de seus filmes preferidos e a atual produção do diretor. Tentando fazer a síntese em conversa com minha namorada, achei uma boa pergunta: “então pra quem é o filme?”, eu disse pra ela. “Pra ele mesmo, ora. Que pergunta!” – ela me respondeu, brilhantemente.
* Ontem estive na nona edição do Cabaré do Verbo na Casa de Cultura Mário Quintana. Parabéns ao grupo por estar agitando a cena cultural da cidade! Noite muito agradável no geral. Nossa, como sou apaixonado pela boa arte circense! O movimento. O imediato. O funciona ou não funciona. Nós dos livros e da academia via de regra vamos distantes desse tipo de arte, um desperdício. É preciso cuidado para não sermos extremamente estúpidos em nossas inteligências! (Fica meu voto de lapidação – pelo notável talento bruto – do Tamanco no Samba e de expansão do espetáculo muito sensível, “Tirando da Gaveta”, da Cia Circular).
* Último pitaco: o Iel lançou o Prêmio Moacyr Scliar, criado para premiar os melhores livros de poesia e contos (em anos alternados) publicados no Brasil em língua portuguesa. Os valores: R$150.000,00 para o melhor livro e R$30.000,00 para a editora que o publicou. Para mim, trata-se outra vez (porque é muito comum) de boa intenção mais ou menos inteligente no campo da cultura. Por quê? Porque dificilmente será premiado alguém diferente dos sempre e com justiça agraciados. Um edital que distribuísse cinco prêmios de 30 e 6 mil, respectivamente, seria uma ação muito mais incentivadora do que esta. Até mesmo setenta e cinco prêmios de 2 mil reais teriam um efeito melhor (com os autores podendo utilizar a verba para edição de seus novos livros). Em busca do estardalhaço do valor estupendo, do orgulho de quem enxerga cultura de dentro da prisão do corpo, vamos receber a Adélia Prado ou o Ferreira Gullar (ótimos poetas e merecedores de louros, repito!), dar-lhes o dinheiro e agradecê-los por suas obras.
Muito legal essa sessão de pitacos, precisamos disso em Porto Alegre! Valeu pela presença e pelo apoio ao Tirando da Gaveta. Abração!
Comentário por Gustavo — 11 11UTC setembro 11UTC 2011 @ 18:03